Um dia depois do tiroteio em Minneapolis, no estado norte-americano do Minnesota, começam a ser conhecidos os nomes e rostos das crianças que ficaram feridas no ataque.
Até ao momento, foram identificados cinco jovens que foram atingidos pelas balas de Robin Westman, de 23 anos. Uma delas, Sophia Forchas, está em estado crítico.
Com 12 anos, Sophia foi identificada pela própria família na página de angariação de fundos 'GoFundMe', e descrita como uma "jovem rapariga radiante, amável e cheia de vida" que neste momento "luta pela vida".
Sophia "já foi submetida a uma cirurgia de emergência e a sua equipa médica está a fazer tudo o que pode para a estabilizar", continua a nota no 'site'.
"Para piorar a situação, o irmão mais novo dela também estava na escola durante o tiroteio. Apesar de estar fisicamente bem, o trauma de presenciar um efeito tão aterrorizante - e de saber que a irmã foi ferida com gravidade - é algo que nenhuma criança devia passar."
A mãe da jovem, uma enfermeira afeta ao serviço de pediatria, só soube que a filha estava entre as vítimas quando chegou ao trabalho para ajudar a socorrer os feridos.
"Antes não sabia que tinha sido a escola dos seus filhos que tinha sido atacada, nem que a sua filha tinha sido ferida com gravidade", continua a publicação.
A foto partilhada na página de angariação, mostra Sophia a pousar com um quadro de giz que diz "o primeiro dia da Sophia no 7.º ano", datado dois dias antes do tiroteio. Ao lado o irmão, Anthony, tem uma placa igual: começava o 4.º ano.
Sophia Forchas e o irmão no primeiro dia do ano letivo© GoFundMe
Endre foi atingido por uma bala na barriga
Endre Gunter apresenta-se de forma semelhante também na página de angariação de fundos aberta pela família - a única diferença é que este jovem começava o 8.º ano. Endre foi alvejado na barriga por Robin.
"Antes de o levarem para a cirurgia, o Endre olhou para o cirurgião e fez uma pergunta simples, embora poderosa: 'podes rezar comigo?'", escreveu a família.
De relembrar que as crianças estavam a rezar quando a atiradora abriu fogo sobre a igreja onde dezenas de menores se encontravam - matando, pelo menos, dois menores.
"Esse cirurgião disse-nos depois que não só o Endre tinha sobrevivido à intervenção, como lutou contra um evento trágico com uma coragem que inspirou toda a equipa médica."
Endre Gunther no primeiro dia do seu 8.º ano© GoFundMe
Numa entrevista à CNN, a mãe do jovem, Danielle Gunter, deixou também uma mensagem de gratidão profunda aos operacionais que estiveram no terreno. "Um agente que estava a socorrer as vítimas, abraçou-o, confortou-o e rezou com ele antes de o levar para a ambulância", contou Danielle.
Victor protegeu o amigo Weston das balas
Já Victor, de 10 anos, cujo último nome não foi divulgado, foi atingido nas costas, enquanto tentava proteger o seu amigo, da mesma idade, Weston Halsne. O tio, Mike Kelly, afirmou, numa angariação de fundos para os sobrinhos, que a irmã de Victor também ficou ferida, mas não especificou o seu nome, nem os ferimentos que sofreu no ataque.
"O Victor é uma das vítimas corajosas que sobreviveu à tragédia que aconteceu. O seu ato de altruísmo ajudou a salvar muitos, mas ele e a irmã ficaram feridos no processo", escreveu o tio.
Em declarações à imprensa local, Weston (o jovem que Victor protegeu) contou que o amigo se pôs em cima dele para o proteger das balas, mas que acabou por ser atingido nas costas pelas balas que entravam pela igreja.
"Foi atingido nas costas e teve de ir para o hospital. Eu estava aterrorizado sobre o que lhe podia acontecer, mas acho que ele agora já está bem", contou Weston.
Lydia Kaiser e o pai estavam dentro da igreja quando começou o tiroteio
Lydia Kaiser, cuja idade não é conhecida ainda, tem uma história semelhante: ficou ferida a proteger a sua 'litte buddy' (em português, pequena companheira), referindo-se a uma aluna mais nova de quem estava encarregue desde o início do ano letivo.
O pai de Lydia, Harry Kaiser, professor de educação física na escola à qual a igreja pertencia, também estava dentro do edifício, onde permaneceu para proteger os seus alunos. Não foi uma das pessoas que sofreu ferimentos.
"Ajudou a garantir a segurança da sala para que as crianças ficassem a salvo, e permaneceu com elas até serem reunidas com as respetivas famílias, mesmo enquanto a sua filha dava entrada nas urgências", escreve uma outra angariação de fundos para as vítimas.
Vivi sofreu vários ferimentos de bala nas costas e no braço
Já Vivi St. Clair, de apenas nove anos, foi atingida várias vezes nas costas e no braço durante o ataque e, dizem os médicos, vai ficar com fragmentos de bala alojados no corpo para o resto da vida.
A mãe, Malia, (à semelhança do que aconteceu com Sophie Forchas) estava de serviço no hospital para onde Vivi foi transferida e só percebeu que a filha era uma das vítimas quando as crianças começaram a dar entrada nas urgências.
Um amigo da família escreveu, na página de angariação de fundos, que "apesar dos seus ferimentos, a Vivi fugiu a correr da igreja para o ginásio da escola, onde um agente da polícia a encontrou e a levou rapidamente para uma ambulância".
"Ela está a receber antibióticos e fluídos por intravenoso e, apesar de tudo, continua a sorrir e a radiar bondade."
A atiradora "odiava toda a gente"
Em conferência de imprensa esta quinta-feira, o chefe da polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, disse à ABC News Live que a atiradora "tinha muito ódio contra uma variedade de pessoas e grupos de pessoas" e "uma obsessão perturbadora com autores de tiroteios em massa anteriores".
"Esta pessoa cometeu este ato com a intenção de causar o máximo de terror, trauma e carnificina possível, apenas para obter notoriedade pessoas", afirmou O’Hara.
O procurador interino dos Estados Unidos para o estado do Minnesota, Joe Thompson, corroborou esta versão, numa conferência de imprensa também na quinta-feira.
"A atiradora expressou ódio contra pessoas negras, a atiradora expressou ódio contra mexicanos, a atiradora expressou ódio contra cristãos, a atiradora expressou ódio contra judeus. Em resumo, a atiradora parece que nos odiava a todos", disse Thompson.
"Só aparenta haver um grupo que a atiradora não odiava, um grupo que até admirava. O grupo eram os atiradores e assassinos em série notórios neste país", acrescentou.
Thompson concluiu dizendo que "mais do que qualquer coisa, a atiradora queria matar crianças - crianças indefesas. Ela queria que as crianças sofressem".
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