Washington, 29 ago 2025 (Lusa) - Perto de 80 dirigentes palestinianos, incluindo o Presidente Mahmoud Abbas, ficaram sem visto de entrada nos Estados Unidos por decisão do secretário de Estado, Marco Rubio, noticiou a agência AP.
Um funcionário do Departamento de Estado disse à AP sob anonimato que entre os afetados pela decisão anunciada anteriormente estão Abbas e outros funcionários da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), que assim ficarão impedidos de participar na Assembleia-Geral da ONU em que a França irá defender o reconhecimento internacional de um Estado palestiniano.
O Departamento de Estado anunciou hoje que irá negar e revogar vistos a membros da ANP e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
O governo de Donald Trump tem tomado várias medidas para restringir vistos a palestinianos, incluindo civis, suspendendo um programa que permitia que crianças feridas de Gaza recebessem tratamento médico nos Estados Unidos.
Na decisão de hoje, o Departamento de Estado argumentou estar a "reafirmar o seu compromisso de não recompensar o terrorismo" e instou ainda a ANP a cessar os esforços em curso para garantir o reconhecimento unilateral de "um Estado palestiniano conjetural".
O Governo israelita agradeceu a Washington a decisão de negar e revogar vistos de diplomatas palestinianos.
Já a presidência da ANP pediu hoje aos Estados Unidos que "reconsiderem" a decisão.
Num comunicado divulgado pela agência oficial de notícias palestiniana Wafa, a liderança da ANP considerou que a decisão norte-americana "contraria o direito internacional" e admitiu estar "estupefacta" com a notícia.
"A presidência apela ao Governo dos Estados Unidos para reconsiderar e reverter a sua decisão de negar vistos de entrada em Nova Iorque à delegação palestiniana", insistiu.
Abbas, líder da ANP, que governa partes da Cisjordânia ocupada, mas também da OLP, que representa a Palestina em organizações internacionais, planeia comparecer pessoalmente à Assembleia-Geral e discursar na ONU, disse hoje o embaixador palestiniano junto da ONU, Riyad Mansour.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu hoje a presença de Abbas na ONU no final de setembro.
"Obviamente, esperamos que isso seja resolvido, [pois] é importante que todos os Estados-membros e observadores estejam representados", afirmou o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, quando questionado sobre a eventual ausência de Abbas na Assembleia-Geral, na qual deveria discursar em setembro.
Stéphane Dujarric também considerou a presença de Abbas apropriada, visto que a França e a Arábia Saudita convocaram para 22 de setembro um evento de apoio ao reconhecimento do Estado palestiniano, a decorrer na sede da ONU, em Nova Iorque.
O porta-voz não considerou o tema encerrado, afirmando que a ONU "discutirá o assunto com o Departamento de Estado" norte-americano, órgão que emitiu hoje a ordem de revogação dos vistos, com exceção apenas dos diplomatas que já trabalham na Missão Permanente da Palestina na ONU.
Dujarric também pediu atenção a dois artigos do Acordo de Sede da ONU, nomeadamente aqueles que afirmam que "autoridades estaduais, federais ou locais não imporão nenhum impedimento ao movimento de representantes dos Estados-membros de ou para a Sede central [da ONU] (...), independentemente das relações existentes entre os Governos mencionados e o Governo dos Estados Unidos".
Leia Também: Democrata acusa Trump de querer deportar 700 crianças migrantes sozinhas