Um homem de 56 anos morreu na terça-feira, dia 26 de agosto, em Marvão, distrito de Portalegre, após entrar em paragem cardiorrespiratória.
A informação é avançada pela SIC Notícias, que afirma que o homem foi assisto apenas pelos bombeiros, dado que a Viatura de Emergência e Reanimação (VMER) de Portalegre se encontrava inoperacional.
Em comunicado enviado ao Notícias ao Minuto, a ULS do Alto Alentejo confirmou que a viatura se encontrava inoperacional nesta altura
"A ULS Alto Alentejo reconhece os constrangimentos operacionais da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Portalegre, que esteve inoperacional em diversos períodos durante o mês de agosto por indisponibilidade médica", diz a nota.
"Infelizmente," continua o mesmo documento, "registaram-se duas ocorrências fatais em momentos em que a VMER não estava disponível, o que reforça a urgência de uma resposta estruturada e eficaz."
O que terá acontecido
Segundo a estação de televisão, os familiares terão contatado o número de emergência por volta da meia noite (hora em que a chamada foi registada no CODU).
O centro de orientação terá acionado uma ambulância dos bombeiros de Castelo de Vide, que terão iniciado manobras de suporte básico de vida assim que chegaram ao local.
O homem acabou por ser transportado para as urgências do Hospital de Portalegre, seguindo as indicações do CODU, enquanto os bombeiros continuavam a realizar manobras de reanimação.
O homem não resistiu e o óbito foi declarado já no hospital.
Nesta altura, a VMER, segundo disse Miguel Lopes, da administração da ULS Alto Alentejo, à SIC Notícias, estava inoperacional: "Confirmo que a VMER estava inoperacional. Estava inoperacional por falta de elemento médico. É uma situação que já se verificou no passado".
É a segunda morte, este mês, enquanto a VMER está inoperacional
Só este mês, aliás, já é o segundo caso em que uma situação semelhante acontece.
Há duas semanas, um militar da Guarda Nacional Republicana (GNR) foi encontrado inanimado à porta de casa, numa altura em que a VMER de Portalegre também não estava operacional, pelas mesmas razões agora citadas: falta de elemento médico.
Foram realizadas manobras de reanimação, pelos bombeiros, mas o homem, de 47 anos, foi encaminhado para o Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, com a viagem entre a sua casa e a unidade a durar 19 minutos. O óbito foi declarado no local.
O presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Alto Alentejo, Miguel Lopes, afirmou, na altura, também à SIC Notícias, que "nada garante que pudesse ter tido um desfecho diferente", mesmo com a VMER operacional.
ULS diz que há períodos que não estão assegurados
Quanto a este caso mais recente, da ausência do veículo de emergência, Miguel Lopes afirmou que "é uma situação crítica de uma região que continua a ter muitas carências em termos de fiação e recrutamento de profissionais".
"Temos feito um esforço ao longo dos últimos anos para formar médicos da VMER. (...) Temos que ter em conta que julho e agosto são meses de férias", acrescentou Miguel Lopes.
"Estamos a trabalhar na escala, não está completa, há alguns períodos em que não conseguimos assegurar a cobertura. Temos uma reunião de urgência agendada com o INEM para tentar encontrar soluções viáveis."
A reunião de que Miguel Lopes fala está agendada para 2 de setembro, a próxima terça-feira.
No comunicado enviado ao Notícias ao Minuto, a ULS do Alto Tejo afirma que o "problema é estrutural e prolongado, resultante da escassez e disponibilidade de médicos e da dependência de prestadores externos, com custos elevados e sem garantia de continuidade assistencial".
Para tentar colmatar o problema, a unidade local de saúde diz estar a reforçar a "negociação com médicos internos e externos para garantir escalas regulares" e a tentar reformar o "modelo de contratação para atrair profissionais".
Desde o início do ano, e até julho, a VMER de Portalegre esteve inoperacional durante quase 500 horas - na sua maioria, devido à falta de elementos.
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