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Prevenção de incêndios "a partir do Terreiro do Paço é ficção científica"

Luís Marques Mendes deixou algumas sugestões aos decisores políticos acerca do tema dos incêndios, que têm marcado este último mês. Para além de defender 'chamar' peritos internacionais para avaliarem a situação, o candidato presidencial defendeu a "descentralização" em matéria de prevenção.

Prevenção de incêndios "a partir do Terreiro do Paço é ficção científica"

© PSD/ Flickr

Ana Teresa Banha com Lusa
28/08/2025 22:20 ‧ há 10 horas por Ana Teresa Banha com Lusa

Política

Incêndios

O candidato presidencial Luís Marques Mendes falou, esta quinta-feira, sobre o combate às chamas, num discurso que decorreu na Universidade de Verão do Partido Social Democrata, onde o atual chefe de Estado também discursou ontem.

 

Marques Mendes deixou uma série de sugestões, apontando que "São Pedro manda mais do que os políticos". Falando da comissão técnica independente para analisar os incêndios de agosto, Marques Mendes considerou que esta era uma "boa ideia" e explicou porquê: "Não faria sentido partir para a ideia de construir um pacto a 25 anos sobre a floresta sem primeiro ver o que correu bem e mal, e sem ver o que das recomendações de 2017 foi cumprido e não foi cumprido. Esta ideia faz todo o sentido".

Mas para além de apoiar esta ideia, Marques Mendes deixou ainda a sugestão de que para além dos peritos por cá, poderiam ser acrescentados especialistas 'de fora': "Não seria má ideia, se desta comissão independente pudessem fazer parte alguns peritos internacionais. Não é porque em Portugal não haja excelentes especialistas, claro que há. Mas a presença de alguns peritos estrangeiros numa comissão independente é muito útil porque acrescenta visão exterior deste problema e porque ao mesmo tempo reforça caráter do distanciamento e de independência desta avaliação."

Marques Mendes defendeu que a prevenção em Portugal para ser eficaz tem de ser feita a nível local, nomeadamente, em termos de freguesias e municípios: "Aquela ideia de que a prevenção se faz a partir do Terreiro do Paço é ficção científica".

Sublinhando que fazer a prevenção através do Terreiro do Paço até qualquer ponto de Portugal "não resulta", considerou que "o centralismo nesta matéria não resulta. Só uma descentralização em matéria de prevenção para municípios e freguesias, com respetivos meios, competência e capacitação pode dar uma resposta eficaz".

O candidato presidencial apelou ainda ao recurso às Forças Armadas no combate às chamas, defendendo que esta era mesmo "uma questão de defesa nacional". O poder político deve, segundo defende, ponderar esta situação, até porque "temos Forças Armadas de uma competência e profissionalismo que aqui podem dar um contributo muito útil como têm dado noutros domínios".

Marques Mendes terminou a lista de sugestões deixadas apelado a que houve investimento "a sério na dimensão económica do território, da floresta, seja através de ecopontos florestais, centrais de biomassa" ou outras soluções.

"Resolver este problema implica reforçar a dimensão económica da floresta, e isso leva tempo e reclama estabilidade. Não podemos andar a mudar de Governo para Governo de um ano para o outro, por isso é que faz sentido um pacto a 25 anos", defendeu, acrescentando: "Não é uma solução muito portuguesa, porque nós normalmente pensamos no curto prazo e no imediato. Mas quem, como eu, quer ser Presidente da República tem a obrigação de ajudara  fazer pedagogia porque as políticas de ambição são políticas de médio e longo prazo".

Antes de chegarmos a uma visão política, há uma visão humana e solidária a ter em atenção

Marques Mendes aconselhou ainda a que o tema dos incêndios seja abordado, em primeiro lugar, "com empatia e sensibilidade social".

"Há muita gente que tem sofrido. Antes de chegarmos a uma visão política, há uma visão humana e solidária a ter em atenção. Há pessoas de carne e osso, e são muitas, para o país todo, que sofrem com esta situação", disse.

Sem dizer se é essa a sua opinião, o candidato admitiu que "para muitos fica a ideia que, oito anos depois dos grandes incêndios de Pedrógão, parece que está tudo na mesma".

"É a sensação que existe no país. A sensação que existe é que a prevenção não se fez, ou não se fez, sobretudo, na dimensão que devia ter sido feita. A valorização do território, a gestão florestal", acrescentou.

Note-se que a proposta para a existência para constituir esta comissão foi levada a cabo pelo Partido Socialista, já tendo o projeto de lei dado entrada no Parlamento. O objetivo é, segundo explica o documento, fazer "uma análise exaustiva e factual à campanha de incêndios rurais deste ano, comparando-a com anos anteriores", em particular com o período 2018-2024.

A constituição de uma comissão independente, anunciada pelo líder do PS, José Luís Carneiro, em 15 de agosto, foi vista "com bons olhos" pelo PSD, segundo as declarações desta semana do líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares.

[Notícia atualizada às 23h21]

Leia Também: Marcelo aparece na Universidade de Verão (em vez de videoconferência)

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