Dia do Pai. Pelos piores motivos, Guilherme e Diana não o podem celebrar
Neste dia, nem todos podem dizem aos seus pais o quão especiais são.
© D.R.
País Comemoração
Este domingo, é dia de pais e filhos se juntarem para assinalar aquele que é um dia especial em todo o mundo. Seja com programas a dois, pequenas recordações feitas na escola ou outro tipo de surpresas, muitos são os que não querem perder a oportunidade para neste dia dizerem aos pais aquilo que muitas vezes esquecem nos restantes dias do ano: o quanto os amam e porquê. Há quem, contudo, desse tudo para poder fazê-lo... mas já não pode.
Guilherme Fonseca poderá ser para muitos uma cara familiar. Habituado a fazer-nos rir, o humorista e apresentador do Curto Circuito, na SIC Radical, já passou por momentos em que lhe apeteceu de tudo menos rir.
Em fevereiro de 2013, aos 25 anos, perdeu o pai vítima de ataque cardíaco, uma história que não esconde e que chegou mesmo a ser o tema de um dos seus espetáculos de stand up comedy, ‘Pessoa’.
“[A perda de um pai é algo] que não se ultrapassa, transforma-se”, conta ao Notícias ao Minuto Guilherme, referindo que a sua “maneira de conseguir reagir” foi transformando “o péssimo em recordação boa. Eu homenageei o meu pai e tudo o que a morte dele representou para mim num espetáculo [...] Foi a maneira como conseguiu reagir e ultrapassar a coisa”.
Como irmão mais velho, Guilherme acabou “sem que tivesse noção ou opção” como cabeça de casal da herança do pai, algo que o obrigou a tornar-se mais adulto. Contudo, admite, “os meus irmãos ajudaram-me mais a mim do que eu a eles. Eu só assinei mais papéis”.
“Quando morre alguém que é um pilar para nós, emocionalmente, há uma necessidade muito maior de crescer mais depressa. Foi isso que me aconteceu”, acrescenta, considerando: “no fundo, continuas a ser uma criança”, apenas com “muito mais noção do que de mau pode acontecer”.
A família "mais unida" para superar um "pesadelo"
Diana é a filha mais nova, também de três irmãos. Perdeu o pai, "inesperadamente", vítima "de um Acidente Vascular Cerebral", quando tinha apenas 11 anos. A jovem admite que os irmãos e mãe foram o seu grande pilar, numa altura em que "não entendia tudo no seu pleno".
“Na adversidade, a nossa família ficou ainda mais unida e fomos o apoio uns dos outros”, diz, lembrando aquilo que lhe “parecia ser um pesadelo”.
“A dor vai diminuindo com o passar dos anos, mas nunca desaparece. O amor e atenção que a minha mãe e irmãos me deram conseguiram com que tudo fosse mais fácil para mim”, acrescenta a jovem de Torres Vedras, hoje com 27 anos.
Dia do Pai... sem o Pai
Este domingo, nem Guilherme nem Diana celebram a data de forma especial. Se para ela, é um dia como qualquer outro, para Guilherme o dia é assinalado de forma pouco comum, dirão muitos. “Não costumo fazer nada de especial a não ser mandar uma mensagem de WhatsApp aos meus irmãos a dizer ‘feliz quarta-feira, manos’. Eles riem-se e sabem que é a nossa maneira de celebrar alguma coisa”, refere, considerando que prefere lembrar-se do pai em dias como o seu aniversário, em que “ele fazia uma jantarada de hambúrgueres calóricos, ensopados em molho de mostarda e ovo”.
Apesar de cientes de que não terão os seus pais ao longo da vida, há algo que os dois jovens lamentam não poder hoje fazer.
“Adorava que ele conhecesse a minha atual namorada e mulher da minha vida”, diz Guilherme, referindo que “não ter conhecido a pessoa que mais e melhor o atura”, será sempre “a grande falha” do pai.
A opinião é partilhada por Diana, que sabe que vai "sentir muito a falta do pai no [seu] casamento e quando tiver filhos. Gostava que ele visse e partilhasse comigo os dias de felicidade e alegria".
"[Se o tivesse hoje a meu lado] simplesmente dir-lhe-ia que o amo e que ele foi, é e será sempre uma pessoa presente e importante na minha vida, presente no meu pensamento", remata Diana.
Descarregue a nossa App gratuita.
Oitavo ano consecutivo Escolha do Consumidor para Imprensa Online e eleito o produto do ano 2024.
* Estudo da e Netsonda, nov. e dez. 2023 produtodoano- pt.com