INEM: Fita do tempo da Proteção Civil não coincide com a da NAV
A queda do helicóptero do INEM, no último sábado, está a ser investigada pelo Ministério Público. A Proteção Civil não faz comentários enquanto o inquérito ordenado pelo Ministério da Administração Interna estiver a decorrer.
© Global imagens
País Polémica
A Proteção Civil divulgou, esta terça-feira, o seu relatório preliminar quanto aos factos que tiveram lugar no final de tarde do último sábado e que culminaram com a queda do helicóptero do INEM e com a morte dos seus quatro tripulantes.
O documento concluiu que existiram falhas que podem ter “comprometido o tempo de resposta dos meios de busca e salvamento”, pois o contacto, tanto da NAV como do 112 para com a Força Aérea, “não foi efetuado com a necessária tempestividade” que a situação exigia.
Do mesmo relatório consta a fita do tempo - o registo das comunicações referentes ao final da tarde de sábado.
E é nesta fita do tempo que mora a dúvida. Mas vamos por partes.
No domingo, a empresa que gere a navegação aérea, a NAV, divulgou aquela que é a sua fita do tempo. Segundo aquele registo a perda de sinal do helicóptero acontece às 18h55 e às 19h20 é feito o contacto pela NAV para os CDOS do Porto, Braga e Vila Real. Porém, nenhum terá atendido, o que levou a empresa a ligar para o CDOS de Coimbra que, segundo a NAV, atendeu e reencaminhou a chamada internamente para o CDOS do Porto.
O primeiro sinal de incongruência surge aqui, pois no domingo o presidente da comissão distrital da Proteção Civil do Porto negou esta versão da NAV, garantindo que as informações de que dispõe não mostram nenhum contacto entre a empresa que gere a aviação e o CDOS de Coimbra. Mais. Marco Martins garantiu ainda ter contactado com o comandante de Coimbra que “nega o contacto da NAV”.
O segundo sinal de incongruência surge hoje com a revelação da fita do tempo da Proteção Civil na qual não há qualquer dado que aponte para o contacto entre a NAV e o CDOS de Coimbra.
Face a estas duas versões diferentes do mesmo facto, o Notícias ao Minuto entrou em contacto com a Autoridade Nacional de Proteção Civil que optou por não tecer qualquer comentário a este respeito, limitando-se apenas a dizer que a entidade pública “não se vai pronunciar”, pois está a decorrer um “inquérito ordenado pelo Ministério da Administração Interna”.
Quanto às incongruências, a mesma fonte frisou que as mesmas, “a existir”, serão “matéria a ser apurada no âmbito do inquérito que está a decorrer”.
Fita do tempo vs Fita do tempo
Nas imagens que poderá ver abaixo e que pode consultar com maior pormenor aqui, é possível conhecer aquela que é a fita do tempo divulgada hoje pela Proteção Civil.
© ANPC
Depois, e também com base na nota de imprensa divulgada pela NAV, a Proteção Civil mostra este registo que dá conta das "tentativas de contacto" feitas por parte da empresa.
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Segundo a Proteção Civil e ao contrário do que a NAV afirma, o CDOS do Porto foi contactado pelo Comando Nacional de Operações de Socorro. Eram 20h00 - tinha passado uma hora e cinco minutos desde que o helicóptero desapareceu dos radares.
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Resta agora esperar pela conclusão do inquérito ordenado pelo Ministério da Administração Interna para se perceber quem fala a verdade nesta questão do contacto com o CDOS de Coimbra.
Certo é que a queda do aparelho tirou a vida a um médico, uma enfermeira, um piloto e um copiloto, sendo que é quase certo que o helicóptero caiu por ter embatido numa antena de comunicações numa altura em que voava a baixa altitude.
Presidente Marcelo alerta para gravidade da situação
Horas depois de serem conhecidas estas conclusões, o Presidente da República afirmou que caso se confirmem os erros no socorro às vítimas da queda do helicóptero do INEM, em Valongo, no domingo, isso significa que "o Estado falhou".
"Aquilo que consta no relatório preliminar [da Proteção Civil] são quatro falhas: duas da NAV [Navegação Aérea de Portugal] e duas do 112. É muita falha e muita falha significa que o Estado falhou, se se confirmarem" as conclusões desse relatório, disse Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas na Mealhada.
"O contacto com o Rescue Cordination Center (RCC), da Força Aérea Portuguesa, para a identificação de um possível acidente com uma aeronave, tanto por parte da NAV Portugal como do CONOR [Centro Operacional do Norte do 112], não foi efetuado com a necessária tempestividade, podendo ter comprometido o tempo de resposta dos meios de busca e salvamento", indica o relatório preliminar da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).
"Se se confirmar aquilo que resulta deste relatório preliminar, são falhas demais de comunicação e tempo demais, que resulta dessas falhas, e isso não é bom para a confiança das pessoas nas instituições", referiu o Presidente da República.
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