Nelson Évora lembra o dia em que soube que o pai tinha três meses de vida
O atleta português esteve esta sexta-feira no programa de 'Júlia Pinheiro'.
© Reuters
Fama Nélson Évora
Foi numa conversa dominada pela emoção que Nelson Évora recordou um dos períodos mais delicados da sua vida: o momento em que, estando na sua melhor forma e a preparar-se para os Jogos Olímpicos, descobriu que o pai estava com cancro.
“Foi um soco no estômago”, conta, ao recuar ao dia em que, por premonição, resolveu levar o pai ao hospital. Não tardou a receber o diagnóstico, Paulo Luz Évora tinha cancro no pâncreas.
“Vai-me marcar para o resto da minha vida. Eu estar na minha melhor forma, super focado em ganhar os Jogos Olímpicos e de repente o meu pai ficar doente”, diz.
Pouco depois, recebeu a notícia que o deixou devastado: “‘Olhe, o seu pai não deve ter mais do que três meses de vida’”, disse-lhe o médico.
Foi nesse momento que Nelson resolveu fazer ao pai uma promessa: “’Prometo-te que te trago o ouro e tu lutas. Se daqui a dois anos nós tivermos juntos já valeu a pena’”, estas foram as palavras que disse ao pai na altura e que não conseguiu recordar sem ficar lavado em lágrimas.
Cumpriu a promessa e trouxe o ouro para o pai, a medalha ganha nos nos Jogos Olímpicos de Verão de 2008, mas diz não ter desfrutado da vitória. “Eu não desfrutei... aquilo foi para Portugal, não foi para mim”, lamenta. O seu foco era o estado de saúde do pai e é por isso que quer voltar a ganhar o ouro, para desta viver em pleno a vitória.
A crise de identidade que marcou a adolescência
A infância foi passada sem dificuldades financeiras, a única dificuldade que sentiu era a de não conseguir ter ser nacional de um país que sentia como seu: Portugal.
Mais tarde veio a frustração de bater recordes e eles nunca serem contados pelo facto de não ser português.
Filho de pai cabo-verdiano e mãe costa-marfinense, Nelson sentia-se estrangeiro no país dos pais e um jovem sem nacionalidade em Portugal. “Esta crise de identidade é algo muito profundo. Na Costa do Marfim sou estrangeiro, em Cabo Verde sou estrangeiro, em Portugal não tenho nacionalidade. Chego a uma altura que digo assim: então, eu sou de onde afinal?”, afirmou, sem medo de recordar os sentimentos que na época o inquietavam.
Reveja aqui as suas palavras.
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